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23 out

Geral

PANDORAS ampliam turnê nacional e exibem espetáculos de circo feminista no XVI Festival de Circo de Londrina

O coletivo é formado por três artistas goianas que estão percorrerendo virtualmente 13 cidades dos estados de Goiás, Tocantins, mato Grosso do Sul e Bahia com exibições de espetáculos provocantes e ciclo de debates em parceria com organizações locais. No sábado (31) às 22h o XVI Festival de Circo de Londrina exibi os espetáculos PASTRANA e A VISITA DE CHICO gratuitamente.

Distante do eixo sul-sudeste, que concentra as iniciativas culturais com maior visibilidade, Radarani Oliveira, Izabela Nascente e Fernanda Pimenta recriaram os espetáculos Pastrana e A Visita de Chico, e articularam uma rede de exibição que, além de democratizar o acesso à produção cultural no interior do país, promoverá importantes discussões sobre o papel político e social do circo e da mulher na arte e fora dela.

“Fizemos isso como uma forma de resistência a este modo de subjetivação do feminino, apontando para o entendimento que ser mulher é também ser desajustada, engraçada, questionadora e política”, comentou Radarani, artista circense, palhaça e intérprete da Soldara, personagem protagonista em A Visita de Chico.

Em razão da pandemia, o projeto que seria de circulação presencial em cidades das regiões centro-Oeste, Norte e Nordeste, está acontecendo em 13 diferentes canais virtuais de exibição em cada uma das localidades, envolvendo para isso uma rede de produtoras e produtores culturais de cada localidade, além de organizações sociais e coletivos artísticos. Com o convite da Associação Londrinense de Circo o coletivo ampliou a turnê para a região e integra a programação deste que é um dos mais tradicionais festivais de circo do país. 

A recriação dos espetáculos para a circulação virtual contou com a correalização da Círculo Filmes, produtora audiovisual baseada no Tocantins, e da Cultivo Projetos e Soluções Criativas, com sede em Minas Gerais. As obras dialogam entre si por trazerem a figura da mulher em primeiro plano, discutindo mitos populares e feminilidade pelo lado de dentro.

Pastrana é um espetáculo de lambe-lambe que se apropria da história da Monga - A Mulher Gorila, muito popular em feiras e circos Brasil afora, para sintetizar a história de Júlia Pastrana.  Já “A Visita de Chico” remonta o imaginário da mulher moderna, que lida com a vida cotidiana e recebe a inesperada e apaixonante visita de Chico, quando tem que dar conta de um amor que é uma representação e da sociedade, que não aceita o corpo feminino como ele é. 

Uma das vertentes do projeto é proporcionar o debate sobre a mulher e a produção artística, sobretudo na região centro-oeste e levando em consideração a discussão sobre as produções circenses e as produções femininas. “Esse projeto contribui para a consolidação da atuação feminina na cena goiana e agora também no cenário nacional, ampliando as discussões acerca da produção dos espetáculos circenses”, refletiu Izabela Nascente, atriz, intérprete da Pastrana e diretora de A visita de Chico.

Para Fernanda Pimenta, atriz e criadora da Palhaça Malagueta, a iniciativa favorece ações de fortalecimento e visibilidade, uma vez que coloca em destaque duas artistas goianas que retratam seu universo, seus conflitos e dificuldades impostas social e culturalmente e a necessidade de uma resistência em relação às exigências do corpo e da moral da mulher. “Há uma busca de articulação entre as mulheres artistas para que as mesmas possam se inserir no meio artístico – que seria dominado por homens – e acessar recursos para financiar seu trabalho. O financiamento de produtos culturais e as dificuldades que o envolvem são um grande desafio para muitas artistas, principalmente na produção artística circense”, destacou a atriz.

 

Sobre os espetáculos

Em Pastrana, o truque original da Monga, personagem que se transforma em gorila por conta de um efeito ótico de luz é desconstruído, invertendo a ordem as imagens e dos signos. Ao invés de começar com a mulher se transformando na monga, na caixinha de lambe-lambe, Julia, a mulher gorila, entra primeiro e se transforma em uma ‘monstra’ dentro dos padrões sociais: moça, branca, loira e com os seios siliconados, performando o ‘padrão europeu’. 

“Para construir o roteiro, houve a adaptação da tradicional narração da performance e a inversão da figura do monstro, que questiona os padrões voltados para as exigências relativas ao corpo da mulher. A escolha em desenvolver uma circulação artística com enfoque no feminino é potencializar questões referentes ao papel social e artístico da mulher com graça e leveza. Apesar de se tratarem de temas densos e complexos, ambos os espetáculos são cômicos, interativos, exibindo as técnicas circenses como o malabarismo, contorção, mágica e acrobacias para proporcionar uma abordagem libertária, reveladora e contestadora, trazendo elementos que retratam a erotização da mulher no circo e na sociedade, e desconstruindo essa perspectiva através do ridículo”, disseram as autoras. 

Já o espetáculo “A visita de Chico” mescla circo com a história de Soldara, uma palhaça que se veste de homem para ganhar a vida como artista de circo. Ao final de cada apresentação, Soldara retorna à sua casa, emaranhada às exigências da profissão, do corpo e dos projetos de vida, contudo, com seus encantos e desajustes, segue com a pacata vida com imaginação. É quando conhece Chico e se apaixona, mas o tenro romance é acometido por uma circunstância indesejada, da qual Soldara se envergonha e foge.  A trama é tecida pela aceitação, pelo desajuste e pelo ridículo enfrentamento da mulher, que precisa lidar com a natureza de seu corpo feminino em uma cultura e sociedade que não o enxergam bem. 

O projeto é  realização do coletivo Pandoras, correalizado pela Cultivo Projetos e Soluções Criativas e Círculo Filmes . Apresentação Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, Secretaria de Estado da Cultura.

 

Serviço - Mais informações sobre o projeto podem ser acessadas no site projetopandoras.com.br  

 

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